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Quando Indicar uma Bomba Jockey no Projeto?



Acionar uma bomba de alta potência para compensar pequenas fugas é um desperdício enorme. Saber quando indicar uma Jockey no projeto de um sistema de combate a incêndio evita custos desnecessários e dores de cabeça na vistoria.



Se você é revendedor ou projetista de sistemas de combate a incêndio, ou pretende ingressar nesse ramo, entender o papel da pressurização é fundamental. Diferente do que se imagina, a necessidade de uma bomba Jockey não está ligada apenas à potência da bomba principal. Na verdade, seu uso depende da natureza do sistema e da necessidade de manter a pressão estável em condições normais de operação.


Vamos juntos entender um pouco mais sobre o que falam as normas sobre a indicação de uso das bombas Jockey. Acompanhe a gente.



O que dizem as normas internacionais: Quando indicar a Jockey na visão da NFPA 20


A Associação Nacional de Proteção contra Incêndios (NFPA) é dedicada a reduzir mortes, ferimentos e perdas materiais causadas por incêndios e outros perigos relacionados. Como organização internacional sem fins lucrativos, desenvolve e publica códigos e normas que abrangem uma ampla gama de tópicos relacionados a essa problemática. Governos, empresas e outras organizações em todo o mundo utilizam amplamente tais normas como referência na implementação de medidas de segurança


Mais especificamente a NFPA 20 detalha a função das bombas Jockey e seus requisitos de dimensionamento, instalação e controle.  Segundo ela, a principal função da Jockey (ou “make-up pump“) é manter a pressão do sistema hidráulico dentro de uma faixa preestabelecida. Ela faz isso compensando pequenos vazamentos e quedas normais de pressão que podem ocorrer na tubulação.


Além disso, a NFPA 20 recomenda o uso da bomba Jockey quando é desejável manter a pressão uniforme ou relativamente alta no sistema. O objetivo é evitar que a bomba principal, por certo de potência mais alta, seja acionada desnecessariamente devido a pequenas flutuações de pressão. O acionamento frequente da bomba principal pode causar desgaste prematuro e o famoso golpe de aríete, que é prejudicial à tubulação. Clique aqui caso você tenha perdido o post sobre Golpe de Aríete.



O que dizem as normas nacionais


A abordagem nas normas brasileiras da ABNT e das corporações de bombeiros, segue lógica semelhante à NFPA, com adaptações conforme as particularidades de cada estado.


No Brasil as normas em vigor até então também não definem explicitamente a obrigatoriedade de uma bomba Jockey com base na potência da bomba principal. No entanto, há uma certa tendência de indicar essas bombas para sistemas cuja principal tenha potência igual ou maior a 5cv. Ressalta-se, porém, que isso não é uma normativa.



Quando indicar a Jockey segundo as normas NBR 13714 e NBR 10897


As normas ABNT NBR 13714 “Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio” e ABNT NBR 10897 “Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos – Requisitos”, seguem uma lógica semelhante, embora não definam especificamente a obrigatoriedade da Jockey com base na potência da bomba principal. Todavia, como há a exigência de que o conjunto de incêndio tenha pressão suficiente para atender à necessidade do sistema, seja por mangotinhos e hidrantes ou seja por chuveiros automáticos, a bomba Jockey acaba sendo mencionada como uma solução para manter a pressão do sistema sem a necessidade de acionamento da bomba principal, em geral mais potente e, portanto, consumidora de mais energia quando ligada.


Além disso, como traz a NBR 10897, a bomba principal, após a partida do motor, só pode ser desativada manualmente, em seu painel de comando. Assim, um sistema sem bomba Jockey, acionaria a bomba principal a qualquer necessidade de reestabelecimento da pressão e seu desligamento dependeria da intervenção humana. Até lá, a bomba ficaria ligada, consumindo energia, e por estar acionada sem vazão, ficaria propensa a danos significativos.



Particularidades das Instruções Técnicas das Corporações de Bombeiros Estaduais


Adicionalmente,é preciso estar atento às Instruções Técnicas (ITs) de cada estado. Aqui um ponto muito importante: cada Corpo de Bombeiros Militar estadual no Brasil tem suas próprias instruções técnicas (ITs) e regulamentos adicionais. Claro que essas instruções se baseiam primordialmente nas normas citadas anteriormente, porém cada corporação pode determinar questões próprias, conforme as condições específicas de cada estado.


Dito isso, as ITs estaduais específicas podem apresentar particularidades em relação à obrigatoriedade da bomba Jockey.


A regra geral presente na maioria das ITs é que a Jockey é necessária quando o sistema não pode ser mantido pressurizado por gravidade. Entende-se, portanto que, se o reservatório de incêndio for subterrâneo ou estiver ao nível do solo, a bomba Jockey será quase sempre obrigatória para manter a pressão e evitar o acionamento da bomba principal.


A grande maioria das ITs também replicam as diretrizes da NFPA 20 sobre a pressão de desligamento da bomba Jockey, que deve ser ligeiramente superior à pressão de acionamento da bomba principal, garantindo que ela consiga manter o sistema pronto sem disparar o conjunto principal. A IT do Corpo de Bombeiros Militar do estado de São Paulo, por exemplo, sugere que seja 1 kgf ou 10 mca a mais.


Ainda, algumas ITs estaduais também estipulam, tal como a NFPA 20, que o circuito elétrico e o controlador da bomba Jockey mantenham total independência em relação ao controlador da bomba de incêndio principal, evitando interligações diretas e assegurando a segurança do sistema em caso de falhas.”


Portanto, é fundamental que projetistas e instaladores consultem sempre a Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros Militar do estado para garantir a conformidade do projeto. Como vimos, pode haver particularidades regionais.



O Papel do Projetista


A decisão de utilizar ou não uma bomba Jockey pode depender em grande parte da análise do projetista e das características do sistema. Logo, o projetista deve avaliar as condições específicas do sistema, como a capacidade de pressurização da bomba principal e a necessidade de manutenção de pressão constante para determinar se a bomba Jockey é necessária.


Sistemas de grande porte utilizam a bomba Jockey para que pequenas flutuações de pressão não acionem as bombas principais. Por outro lado, sistemas com pressão constante ou que operam sem grandes perdas de carga podem não exigir a presença da Jockey.



Normas Técnicas Específicas e a Interpretação do Projetista


Em resumo, nem NFPA 20 ou normas brasileiras ou instruções técnicas dos bombeiros determinam a utilização da Jockey com base na potência da bomba principal. A necessidade de incluí-la no projeto de combate a incêndio é definida principalmente pelas condições operacionais. Ou seja, se houver variações significativas na pressão do sistema, por exemplo, devido à temperatura ou a vazamentos, a bomba Jockey pode ser necessária.



Bombas Jockey FAMAC


A FAMAC disponibiliza como opções de bombas Jockey para combate a incêndio as monoestágio das linhas FSP, FIQN-IN e FPM, além da linha FEI multiestágio. Essas opções de ½ a 4 cv atendem pressões até 160 mca e vazões até 8,9 m3/h.


Para mais informações sobre esses produtos, sugerimos acessar a aplicação “Combate a Incêndio – Jockey” no Dimensionador FAMAC. Para isso, basta clicar aqui.


Até breve!

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